A casa da pequena Kyara, de 12 anos, se transformou em um espaço de acolhimento, cuidado e esperança. Diagnosticada com paralisia cerebral e dependente de ventilação mecânica, ela já enfrentou longos períodos de internação, até ser incluída no SAD (Serviço de Atenção Domiciliar) do HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul).
Desde 2020, recebe três atendimentos por semana de uma equipe multidisciplinar, o que a manteve fora do hospital nos últimos anos. “É uma tranquilidade saber que minha filha está segura, recebendo tudo o que precisa, sem sair de casa”, resume a mãe, emocionada.
Outro exemplo do impacto do serviço é o de Gonçalo de Araújo Filho. Ele teve uma infecção cutânea com choque séptico e precisou de reabilitação. Após quatro meses de acompanhamento pelo SAD (Serviço de Atenção Domiciliar), conquistou um objetivo especial, entrar ao lado da filha no casamento dela. Hoje, está totalmente reabilitado.
“Sou imensamente grato. Nunca imaginei que existisse um cuidado tão humano e acolhedor. Saí de um leito paliativo e com o apoio dessa equipe incrível fui renascendo aos poucos. O momento mais marcante foi entrar na igreja, de mãos dadas com a minha filha, no dia do casamento dela. Foi como voltar a viver”, ressaltou Gonçalo.
Histórias como essas mostram como o cuidado em saúde pode ir além dos muros do hospital. Em 2025, o SAD (Serviço de Atenção Domiciliar) do HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul) já realizou 639 atendimentos, sendo 84 somente em maio, o maior número desde a criação do serviço, há 15 anos. Com isso, o programa não só amplia o acesso à assistência contínua e humanizada, como também contribui diretamente para otimização dos leitos hospitalares.
Humanização e eficiência na prática
Criado para atender pacientes com necessidade de cuidados prolongados, o SAD (Serviço de Atenção Domiciliar) permite a desospitalização segura de quem não precisa mais permanecer internado, mas ainda exige suporte especializado. São pessoas em reabilitação, com doenças crônicas ou em cuidados paliativos.
O atendimento é feito por uma equipe formada por médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais (adulto e pediátrico), psicólogos, assistentes sociais e profissionais administrativos. A partir de julho, o time será reforçado com nutricionistas.
“O atendimento domiciliar é uma ferramenta essencial da gestão hospitalar moderna”, destaca o diretor-geral do HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul), Paulo Limberger. “Além de melhorar a qualidade de vida do paciente, também otimiza os recursos hospitalares e abre leitos para novos casos que necessitam de internação”.
Números que refletem cuidado
Desde sua criação, o SAD (Serviço de Atenção Domiciliar) do HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul) já acompanhou 1.724 pacientes, ultrapassando 73 mil atendimentos e percorrendo mais de 500 mil quilômetros para levar cuidado até os lares dos moradores de Campo Grande. Atualmente, a equipe atende pacientes nos bairros localizados nos distritos sanitários da Lagoa e do Anhanduizinho, tanto do próprio HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul) quanto da rede municipal.
O processo de inclusão no programa é rigoroso e passa por uma avaliação detalhada da equipe multiprofissional, que analisa desde a localização do paciente até as condições sociais e clínicas. Após o pedido de inserção no serviço, o paciente passa por avaliações da assistente social, médico, enfermeiro e fisioterapeuta, que definem a elegibilidade.
Em maio, o serviço registrou recorde de solicitações, com 64 pedidos recebidos e 29 novos pacientes admitidos. “A rede tem entendido melhor o perfil adequado para o atendimento domiciliar, o que melhora muito a triagem e fortalece os resultados”, explica a médica Alexandra Casarin, responsável pelo SAD (Serviço de Atendimento Domiciliar).
Encontro fortalece a rede de atenção domiciliar
Com o objetivo de fomentar o debate e capacitar ainda mais os profissionais que atuam nesse modelo de cuidado, o HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul) e a SES (Secretaria de Estado de Saúde) promoveram neste sábado (5), o III Encontro Sul-Mato-Grossense de Atenção Domiciliar.
Com o tema “Fortalecendo a Atenção Domiciliar em Mato Grosso do Sul”, o evento reuniu gestores, profissionais da saúde e equipes multiprofissionais para oficinas práticas, rodas de conversa e aulas com especialistas renomados, como a coordenadora nacional do programa Melhor em Casa, Mariana Borges Dias, do Ministério da Saúde.
Presente e futuro do cuidado
A evolução do SAD (Serviço de Atendimento Domiciliar) nos últimos anos mostra como o cuidado domiciliar é uma resposta eficaz e humana às demandas da saúde pública. Ao garantir que pacientes como Kyara recebam tratamento contínuo e especializado no conforto do lar, o HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul) não só transforma vidas, como também ajuda a construir um sistema mais sustentável e eficiente.
“Nossa missão é fazer com que cada atendimento domiciliar represente mais do que um procedimento técnico, seja uma demonstração de respeito, presença e compromisso com o bem-estar das famílias atendidas”, conclui Alexandra Casarin.
Taynara Foglia, Comunicação Governo de MS Foto: Patrícia Belarmino/HRMS
Em meio à rotina de cuidados, desafios e cobranças que acompanham a maternidade, encontrar um espaço para falar, ser ouvido e compartilhar experiências também é uma forma de cuidado. Foi com essa proposta que a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), por meio da Gerência de Saúde do Servidor (Gersau), reuniu servidoras mães atípicas em um momento de escuta, acolhimento e troca de experiências.
A atividade integrou as ações do mês dedicado à valorização da vida e foi realizada na área verde da Sesau. Conduzido pela psicóloga Leyisa Sena, da Gerência de Atenção Psicossocial (GRAP/Sesau), o encontro criou um ambiente para que as participantes pudessem falar sobre sentimentos e situações que fazem parte de suas rotinas, muitas vezes marcadas pela sobrecarga e pela dificuldade de reservar tempo para si mesmas.
Mais do que uma palestra, a proposta foi abrir espaço para a escuta. Entre os temas abordados estiveram o autocuidado, a culpa, a autoexigência e a sensação de que, ao cuidar de todos, muitas mães acabam deixando as próprias necessidades em segundo plano.
“Quem era você antes de precisar cuidar tanto? O que você cobra de si que não cobra de outra mãe?”, foram algumas das reflexões propostas durante a conversa.
A partir dessas perguntas, histórias pessoais começaram a surgir. Relatos de desafios, descobertas, pequenas conquistas e também de sonhos mostraram como a identificação entre as participantes pode ser uma forma de alento.
“Meu sonho é que o meu filho fale”, compartilhou uma das servidoras. A frase, carregada de significado para aquela mãe, também evidenciou a importância de um espaço em que experiências tão particulares possam ser compreendidas por quem vive situações semelhantes.
Cuidar de quem cuida
Entre os participantes estava o único pai presente na roda de conversa, Darllon Duarte, 34 anos, gerente da USF Universitário. Pai de uma menina de 11 anos, que está em processo de diagnóstico, e de um menino de 10 anos com seletividade alimentar, ele falou sobre a culpa, a necessidade de dividir responsabilidades e a importância de reconhecer cada conquista dos filhos.
“A gente precisa olhar para a família. A gente foca na mãe da criança porque é o que está mais em evidência, é mais necessário esse olhar, muitas estão sobrecarregadas. Sabemos que existem muitas mães solo, que não têm rede de apoio, mas os pais devem se envolver. O pai precisa saber onde seu filho está, o que ele faz, o que come, como fazer aquela criança desenvolver. Temos que aprender, mas precisamos ser ouvidos também”, desabafou.
A técnica de enfermagem Nadiellen Rodrigues Brito Barbosa, 40 anos, também compartilhou sua experiência como mãe de um menino de 10 anos com seletividade alimentar. Para ela, falar sobre as dificuldades ajuda a ressignificar a culpa e a reconhecer os avanços que, para outras pessoas, podem parecer pequenos, mas têm grande significado para a família.
“Sofri muito. Sempre pensando onde errei. A culpa não adianta. Hoje levo o acolhimento. Hoje vejo ele comendo duas colheres de arroz e, para mim, já é um paraíso. É paciência, trabalhando a paciência”, relatou.
Gratidão e aprendizado
Assistente social do CAPS AD IV, Josimara Pasqualine, 51 anos, é mãe de dois filhos, entre eles um adolescente de 15 anos, nível 3 de suporte. Emocionada, ela destacou o significado de ser acolhida também enquanto mãe e não apenas no papel de profissional que cuida de outras pessoas.
“Já tenho 32 anos de serviço e esse é um momento histórico. Ser acolhida como mãe atípica e uma pessoa neurodivergente, todas as dificuldades que a gente tem, está sendo um momento grandioso. Eu me sinto recompensada, valorizada. A gente trata tanto das pessoas, cuida dos outros, e às vezes a gente não tem esse tempo. Esse olhar que a Sesau tem com o trabalhador tem sido portas e esperança. A gente precisa ser ouvida. Muito grata pelo convite e pela oportunidade”, disse.
Durante uma das dinâmicas, a psicóloga da Gersau, Cléo Cabral, escolheu a palavra “gratidão” para representar o sentimento daquele momento. Mesmo sem ser mãe, ela destacou que ouvir as experiências das servidoras também foi uma oportunidade de aprendizado.
“Ainda não sou mãe, mas sou grata por este momento. Aprendi muito com vocês. A gente aprende ouvindo e, no futuro, tenho o sonho de ainda ser mãe. Obrigada por compartilharem suas histórias e vidas”, revelou.
Para a psicóloga Leyisa Sena, proporcionar esse espaço de escuta também faz parte do cuidado com o servidor.
“A proposta é fortalecer vínculos, estimular o autocuidado e mostrar às servidoras que elas não precisam enfrentar sozinhas os desafios da maternidade”, afirmou.
A profissional também destacou o trabalho desenvolvido pelo Núcleo de Apoio às Mães Atípicas (NAMA), criado pela administração municipal como uma política pública voltada ao acolhimento, organização e acompanhamento dessas famílias.
O cadastramento no NAMA pode ser feito pelo telefone (67) 99179-5948, canal também destinado à atualização de informações e ao acesso aos serviços oferecidos pelo núcleo.
Um novo medicamento para o tratamento da enxaqueca foi aprovado nesta terça-feira (8) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O Aquipta (atogepanto) é indicado para adultos que têm pelo menos quatro episódios mensais de enxaqueca.
De acordo com a agência, a substância atua no bloqueio de uma via envolvida na transmissão da dor. Além disso, é capaz de prevenir o aparecimento das crises. O laboratório que solicitou o registro foi a ABBVIE Farmacêutica, conforme resolução publicada no Diário Oficial da União (DOU).
Os estudos apontam que o atogepanto é capaz de reduzir “significativamente” o número de dias mensais de enxaqueca.
Segundo a Anvisa, apesar de existirem opções terapêuticas para prevenção da enxaqueca, “muitas delas não atuam especificamente nos mecanismos fisiopatológicos da doença”. Por essa razão, o Aquipta representa uma nova opção de tratamento oral para prevenção da doença.
Sobre a doença
A enxaqueca é caracterizada por crises recorrentes de dor de cabeça de intensidade moderada a grave, frequentemente acompanhadas de náuseas, vômitos e sensibilidade à luz e ao som.
A doença atinge cerca de 15% da população mundial, com impacto significativo na qualidade de vida.
Vacinas contra chikungunya e febre amarela serão aplicadas aos sábados, em setembro e outubro, na Sala de Vacinação do PAM. Foto: A. Frota/Arquivo/Assecom
A Prefeitura de Dourados, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, está ampliando as estratégias de vacinação contra a chikungunya e a febre amarela para facilitar o acesso da população e contribuir para o aumento das coberturas vacinais no município. Durante os meses de setembro e outubro, a Sala de Vacinação do Pronto Atendimento Médico (PAM) terá atendimento aos sábados, das 8h às 14h.
No mês de setembro, os atendimentos serão realizados nos dias 5, 12, 19 e 26. Em outubro nos dias 3, 17, 24 e 31.
A vacinação aos finais de semana é uma alternativa para quem não consegue comparecer a uma unidade de saúde durante os dias úteis. A estratégia também busca ampliar a adesão da população e reforçar a proteção antes do período de verão, quando as condições ambientais podem favorecer a circulação de arboviroses.
A Secretaria Municipal de Saúde reforça a importância de a população verificar a situação vacinal e procurar os serviços de saúde para colocar as doses em dia, conforme os critérios estabelecidos para cada vacina.
A preocupação é especialmente relevante diante do cenário epidemiológico da Chikungunya. Dourados já enfrentou uma importante epidemia da doença e a Secretaria de Saúde trabalha para ampliar a proteção da população e reduzir os riscos de uma nova onda de transmissão.
“A vacinação é uma das principais ferramentas de prevenção e precisamos facilitar o acesso da população. Ao oferecer a vacinação também aos sábados, estamos criando uma oportunidade para quem trabalha ou tem dificuldade de ir à unidade durante a semana. É importante que cada pessoa confira sua situação vacinal e procure a unidade de saúde”, destaca o secretário municipal de Saúde, Márcio Grei Vidal de Figueiredo.
CHIKUNGUNYA
A Secretaria de Saúde chama atenção especialmente para a vacinação contra a Chikungunya, destinada ao público que atende aos critérios definidos pelo Ministério da Saúde. A orientação é que pessoas com idade entre 18 e 59 anos verifiquem nas unidades de saúde se estão dentro dos critérios para receber a vacina.
A medida integra o conjunto de ações adotadas pelo Município para fortalecer a prevenção e preparar Dourados para os próximos meses.
FEBRE AMARELA
A campanha também reforça a importância da vacinação contra a febre amarela. A população deve verificar sua situação vacinal e buscar orientação nas unidades de saúde, especialmente quem ainda não possui o esquema recomendado. A Secretaria de Saúde orienta que a população não espere o surgimento de novos casos para procurar proteção e, também, ao ir receber a dose, levar documento pessoal e, se possível, a carteira de vacinação para conferência e atualização do esquema vacinal.