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Com trabalho prisional, presídio se torna polo de produção industrial em Campo Grande

A Agepen soma hoje 217 instituições públicas e privadas conveniadas para a ocupação da mão de obra prisional

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A rotina de Nilson dos Santos começa logo cedo. Após tomar o café da manhã, inicia suas atividades em uma fábrica de churrasqueiras, onde cumpre carga horária de oito horas com intervalo para o almoço, e tem a missão de produzir sem erros e da forma mais eficiente possível.

O início de mais um dia comum vida na dele é a mesmo de tantos trabalhadores, a não ser pelo fato que a história acontece dentro de um presídio da Agepen/MS (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário de Mato Grosso do Sul).

Nilson cumpre pena em regime semiaberto no CPAIG (Centro Penal Agroindustrial da Gameleira), em Campo Grande, que atualmente conta com seis oficinas de produção industrial, empregando diretamente cerca de 180 reeducandos. No local, são produzidos pães, churrasqueiras, reformas de carrinhos de supermercados, empacotamento de erva de tereré, cozinha e produção de bolas, entre outras atividades. Além disso, mais 450 detentos atuam em parcerias da Agepen fora do presídio.

Na oficina de churrasqueiras – com a confecção completa feita no local -, a última ser implantada há dois meses, atuam 20 custodiados, com uma produção média de 15 peças completas por dia. “Entra a matéria-prima e já sai pronta para o comércio”, comenta Márcio Roberto Rosa, proprietário da Fort Churrasqueiras.

Ele acredita que a iniciativa traz benefícios em vários aspectos, pois o empresário tem a redução de custos, o interno uma ocupação produtiva e a sociedade, que recebe uma pessoa melhor quando estiver em liberdade. “Incentivo outras empresas a participar, pois é uma mão de obra que pode ser aproveitada, inclusive estamos no processo de contratação de pessoas que passaram por aqui”, disse sobre a seleção de ex-detentos. A parceria de sucesso agora terá mais uma frente de trabalho no presídio com produção de cordas náuticas.

O critério de encaminhamento para a ocupação profissional obedece a ordem de espera e o bom comportamento, assim como de aptidão para o serviço. A intenção, de acordo com o diretor do CPAIG Adriel Barbosa, é de que mais 200 apenados estejam trabalhando em oficinas intramuros, em médio prazo. “Nosso foco são, especialmente, empresas que peguem um grande volume de mão de obra”, ressaltou. Em um ano, a unidade conseguiu triplicar o total de reeducandos inseridos em ocupação remunerada.

Trabalho em equipe

Patrimônio cultural do Estado, o tereré também está servindo de fonte de ocupação e renda para detentos da Gameleira. Atualmente, dez trabalham com a manipulação para saborização, pesagem e empacotamento da erva usada na bebida, com capacidade de produção de mil pacotes por dia, dependendo da encomenda.

E.C. de O. J. trabalha há seis meses na oficina. Além de todos os demais benefícios que o trabalho proporciona, ele considera uma forma de ocupar a mente e prepará-lo para o futuro. “Aqui a gente consegue focar no que estamos fazendo, e isso ajuda na disciplina, no conviver com os outros”, afirma, reforçando que todos sabem participar de todo o processo de produção. “Temos que ter uma consciência de equipe. Procuramos trabalhar por igual, e nos ajudarmos, para não pesar para ninguém”.

Trabalhar também estimula a autoestima, segundo M. F. da C., que integra, há um ano, a equipe de cinco internos que atuam na reforma de carrinhos de supermercados, outra frente laboral no estabelecimento prisional. “Sou um ‘mecânico de carrinhos’, me considero um profissional da área, pois é uma profissão que aprendi a mais, é uma porta que se abre lá fora, além de ser um meio de ajudar a minha família”, comemora.

“Não fechei as portas graças à Agepen”

Outra oficina ativa no momento na unidade semiaberta masculina da capital é a Sportball que, há oito meses, transferiu grande parte da fabricação de bolas para dentro do presídio e ocupa também mão de obra de reeducandos de outras cinco unidades prisionais do Estado no processo.

Conforme a proprietária, Rafaela Barbosa, a empresa já é conveniada com o sistema prisional há quaro anos, com a costura de bolas por detentos. “Na pandemia, não fechamos as portas graças à parceria com a Agepen, somos muito gratos por isso”, garante.

Devido ao sucesso na ocupação de mão de obra prisional, a empresa decidiu levar todas as etapas de produção para dentro do sistema penitenciário. “Aqui na CPAIG, produzimos a partir da matéria-prima, inclusive confeccionamos as câmaras, que antes comprávamos de fornecedores, e enviamos os kits às outras penitenciárias que também ocupamos mão de obra”, detalha Rafaela que, junto com o esposo Fernando Duarte de Lima acompanha diretamente a produção.

“Conseguimos melhorar nossa logística, diminuímos gastos e ampliamos nossa produção”, constata, enfatizando que, somando todas as unidades, são cerca de 350 reeducandos ocupados, sendo 20 somente no Centro Penal.

Olhar para o social

Além das parcerias com empresas, a unidade é referência em ações voltadas para o social, como o projeto Revitalizando a Educação com Liberdade, que reforma escolas da Rede Estadual de Ensino da Capital, já estando na 19ª obra. A ação é realizada por meio de parceria com o Judiciário e a Secretaria de Estado de Educação.

Outra frente é a Padaria da Liberdade, também promovida em parceria com a Justiça, na qual parte da produção é doada ao Programa Mesa Brasil. Como desdobramento do projeto, uma horta está sendo implantada no presídio para doações de hortaliças e legumes a pessoas carentes. A expectativa é de que seja feita a colheita em três meses.

Foco na ocupação prisional

As frentes de ocupação laboral no Centro Penal da Gameleira são resultados do empenho da equipe do Setor de Trabalho da unidade, com o apoio da direção do presídio e da Agepen. Realidade também refletida em outros presídios de Mato Grosso do Sul, fazendo com que o estado esteja entre os maiores índices de presos trabalhando, segundo estatísticas do Infopen (Sistema de Informações Penitenciárias).

Dados da Divisão do Trabalho da agência penitenciária apontam que, atualmente, aproximadamente 37% da massa carcerária exerce atividades laborais, número que supera em 10 pontos percentuais a média nacional, que é de quase 26%. São cerca de 6,4 mil reeducandos desempenhando atividades laborais e mais da metade são remunerados, por meios dos convênios estabelecidos. Os números não incluem os monitorados eletronicamente com tornozeleira.

A Agepen soma hoje 217 instituições públicas e privadas conveniadas para a ocupação da mão de obra prisional, abrangendo atividades como construção civil, confecção de vestuário, produção industrial de couros, frigoríficos, restaurantes, limpeza pública, serviços gerais, entre outros.

Para o diretor-presidente da Agepen, Rodrigo Rossi Maiorchini, quanto mais a pessoa se aproxima do trabalho, mais se afasta do crime. Para ampliar as frentes laborais aos apenados, a instituição tem buscado também qualificá-los em áreas com demanda no mercado, com o oferecimento de cursos profissionalizantes.

O diretor avalia que os dados positivos conquistados apontam para uma maior conscientização por parte dos empresários e da sociedade, como um todo, com relação à ocupação prisional. “É algo muito viável, tanto para os empresários, do ponto de vista econômico, como para a vida do interno, por capacitá-lo profissionalmente”, complementa.

Para os internos, além do retorno financeiro e todos os benefícios que a ocupação produtiva permite, um fator importante é a remição da pena. Em um ano de trabalho, os internos conseguem reduzir 104 dias do tempo cumprir na prisão, já que a LEP (Lei de Execução Penal) estabelece que a cada três dias trabalhados um é reduzido.

Dentre as vantagens para o empresário contratar a mão de obra prisional, estão os benefícios fiscais e trabalhistas, o que não gera encargos como pagamento de 13º salário, férias, FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), em conformidade com a LEP.

Empresas e instituições interessadas em firmar convênio de ocupação da mão de obra carcerária com a Agepen podem entrar em contato com a Divisão do Trabalho pelo telefone (67) 3901-1046 ou e-mail: trabalho@agepen.ms.gov.br.

No site da Agepen tem uma cartilha explicando o passo a passo de como funcionam os convênios e todos os benefícios e responsabilidades dos parceiros contratantes.

(Com assessoria. Fotos: Divulgação)

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Escolas, postos de saúde e espaços públicos recebem mutirão de limpeza

As ações prosseguem nos próximos dias.

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A Prefeitura de Dourados está realizando um mutirão de limpeza em diversos pontos da cidade, com ênfase nas escolas municipais, diante da proximidade da volta às aulas, e também em unidades de saúde e equipamentos públicos. Nesta primeira quinzena de janeiro, atendendo determinação do prefeito Marçal Filho, as equipes da Semsur (Secretaria de Serviços Urbanos) atuaram de forma intensa com roçada, poda e/ou supressão de árvores, pintura e outros serviços que têm impactado em asseio e beleza no município. As ações prosseguem nos próximos dias.

Nesta quinta-feira (16), equipes da Semsur concentram os trabalhos na Escola Municipal Professora Efantina de Quadros, Ceim (Centro de Educação Municipal Infantil) Ivo Benedito, no distrito de Itahum, Terminal Rodoviário Renato Lemes Soares, Pavilhão de Eventos Dom Teodardo Leitz, Parque Rego D’Água, Praça do Transbordo, Ceper do 3º Plano, e nas avenidas Marcelino Pires e Weimar Gonçalves Torres.

Já foram atendidas as escolas municipais Frei Eucário Schmitt,  Armando Campos Belo, Aurora Pedroso de Camargo, Professora Maria da Conceição Angélica e Sócrates Câmara. A UPA (Unidade de Pronto Atendimento), o estádio Frédis Saldivar (Douradão), o Centro de Convivência do Idoso “Andre´s Chamorro” , o Cras (Centro de Referência da Assistência Social) da Vila Cachoeirinha, a Secretaria Municipal de Saúde e Prefeitura também receberam os serviços. Além desses locais, o quadrilátero central entre as ruas Monte Alegre e Cuiabá e Toshinobu Katayama e Albino Torraca contou com as intervenções.

O prefeito Marçal Filho ressalta que os serviços são uma necessidade eminente no município e além de levarem mais asseio e beleza aos locais, geram impacto positivo em outros pontos, como saúde pública, por exemplo. “Encontramos o centro da cidade com o mato muito alto, condições críticas de limpeza, o que também era notório em espaços públicos”, ressalta Marçal Filho. “Logo no dia 2 começamos os serviços que estão mudando o aspecto da nossa cidade e ainda ajudam a prevenir infestação de insetos, mosquito da dengue e animais peçonhentos”, destaca o prefeito.

As ações continuarão de forma intensificada na área urbana e na área rural do município levando os serviços de limpeza, poda de árvores, pintura, conforme as necessidades de cada local.

(Com assessoria. Fotos: Divulgação)

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Marçal consegue reverter no TCE perda de 3 mil vagas na Educação

Marçal Filho destaca os esforços junto ao Tribunal de Contas do Estado para reverter a perda das 3 mil vagas na Educação em Dourados

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Em tempo recorde, com apenas 9 dias úteis de trabalho à frente da Prefeitura de Dourados, o prefeito Marçal Filho e sua equipe jurídica conseguiram reverter no Tribunal de Contas do Estado (TCE) a perda de 3 mil vagas na educação infantil em razão de erros grosseiros cometidos pela gestão anterior na contratação de escolas conveniadas. A irresponsabilidade do governo passado foi atestada pela Divisão de Fiscalização de Educação do TCE, que apontou erros graves, como a omissão em relação ao formato de distribuição de merenda escolar, uniformes, material didático e pedagógico para as crianças.

O Tribunal de Contas do Estado apontou ainda que o contrato da governo passado não previa a avaliação da aptidão das escolas para a prestação de serviços de educação infantil e ainda criava notas para classificá-las com o objetivo de excluir as escolas que estiverem acima do número de vagas solicitadas. Ainda segundo o TCE, o contrato barrado pela Divisão de Contas do Estado eliminava a possibilidade de entrada de novas escolas interessadas em firmar convênio com o município, comprometendo a isonomia na contratação das instituições.

Após tomar posse, em 1 de janeiro, o prefeito Marçal Filho foi informado que o Tribunal de Contas do Estado havia concedido liminar ao Ministério Público de Contas no dia 27 de dezembro de 2024 suspendendo a contração das 3 mil vagas juntos às escolas e creches particulares de Dourados. “Essa notícia caiu como uma bomba para nosso governo e, também, para os pais das crianças já que é público e notório que a Rede Municipal de Ensino encerrou 2024 com um déficit de mais de 1.000 vagas na educação infantil e caso se confirmasse a perda dessas 3.000 vagas conveniadas a situação ficaria insustentável”, enfatiza Marçal Filho.

Uma das primeiras medidas adotadas pelo prefeito na primeira semana de governo foi bater às portas do Tribunal de Contas do Estado, em Campo Grande, acompanhado pela equipe jurídica do município para revogar a liminar que suspendeu o processo de contratação das 3.000 vagas. “Demonstramos no processo do TCE que os problemas criados no contrato pelo governo passado seriam corrigidos pelo nosso governo e que a manutenção da liminar iria causar um prejuízo gigantesco para a Educação em Dourados, já que o município não teria como criar milhares de vagas no espaço de 30 dias”, explica Marçal.

Para corrigir os problemas no contrato do governo anterior, o prefeito determinou a adoção de critérios transparentes para o envio de merenda escolar às entidades filantrópicas que forem contratadas, enquanto as escolas não filantrópicas ficariam responsáveis pelo fornecimento da merenda por conta própria. O prefeito também determinou que a Secretaria Municipal de Educação assumisse a responsabilidade pelo fornecimento dos kits de material escolar e que as escolas contratadas pelo município ficariam responsáveis pelo fornecimento dos uniformes escolares.

Ao receber a manifestação da Prefeitura de Dourados no processo que havia barrado liminarmente a contratação das 3.000 vagas, o conselheiro Flávio Kayatt decidiu pela revogação da liminar e determinou a exclusão do edital da previsão de classificação com o objetivo de excluir instituições da contratação, bem como pela manutenção do credenciamento de novas escolas e creches particulares durante todo o ano letivo de 2025.

O prefeito Marçal Filho recebeu com entusiasmo a decisão do Tribunal de Contas do Estado ao mesmo tempo em que lamenta a falta de planejamento das gestões anteriores que não investiram na construção de novas escolas municipais e, muito menos, em creches. “Estamos mobilizando esforços para receber o maior número possível de crianças neste ano letivo, mas infelizmente não teremos como garantir vagas para todas elas”, alerta. “No Censo de 2010 Dourados tinha 173.647 habitantes, chegou a 243.367 habitantes no Censo 2022 e no final do ano passado o IBGE apontou uma população de mais de 261 mil pessoas, ou seja, a cidade ganhou 17.273 habitantes em apenas 2 anos e quantas escolas foram construídas nesse período?”, questiona o prefeito.

(Com assessoria. Foto: Divulgação)

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Prefeitura de Dourados convoca empresas do transporte escolar para vistoria dos veículos

Para a Agetran conceder a emissão do alvará que autoriza a atividade de transporte de alunos em Dourados, os proprietários das vans devem ter registro no Cadastro Econômico do município.

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A Prefeitura de Dourados, por meio da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), publicou portaria convocando as empresas proprietárias de Vans utilizadas no transporte de estudantes para a vistoria nos veículos. A fiscalização inicia na segunda-feira, dia 20, e se estende até o dia 31 de janeiro, sempre das 7h30 às 12h30.

A Agetran informa que a vistoria é realizada pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e suas autorizadas. Após essa etapa, o documento emitido deve ser apresentado na Escola Pública de Trânsito (EPT), localizada à Rua Vivaldi de Oliveira, número 5795, Jardim Márcia.

Para a Agetran conceder a emissão do alvará que autoriza a atividade de transporte de alunos em Dourados, os proprietários das vans devem ter registro no Cadastro Econômico do município.
Na vistoria, deve ser entregue apresentado o documento do veículo, cópia da vistoria do Detran, documentos do proprietário, motorista e monitor, certificado do curso de transporte escolar dos motoristas e monitores, certidões negativas civil e criminal do proprietário, motorista e monitor e seguro de passageiros.

O não comparecimento no prazo determinado poderá acarretar sanções administrativas na Lei Municipal n° 2174, de 31 de março de 1998 e Decreto Municipal n° 434, de 17 de agosto de 2001. A não realização da vistoria será considerada serviço clandestino, que é ilegal. Em caso de dúvidas e outras informações, os interessados podem entrar em contato no telefone 2222-1204.

(Com assessoria. Foto: Divulgação)

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