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Economia

Volume dos Serviços recua 0,6% em outubro

O setor de serviços está 10,2% acima do nível de fevereiro de 2020 (pré-pandemia) e 3,2% abaixo de dezembro de 2022 (auge da série histórica).

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Em outubro de 2023, o volume de serviços no Brasil recuou 0,6% frente a setembro, na série com ajuste sazonal. Foi o terceiro resultado negativo consecutivo do indicador, período em que acumulou perda de 2,3%. O setor de serviços está 10,2% acima do nível de fevereiro de 2020 (pré-pandemia) e 3,2% abaixo de dezembro de 2022 (auge da série histórica).

PERÍODO VARIAÇÃO (%)
VOLUME RECEITA NOMINAL
Outubro 23 / Setembro 23* -0,6 -0,1
Outubro 23 / Outubro 22 -0,4 3,9
Acumulado Janeiro-Outubro 3,1 6,9
Acumulado nos Últimos 12 Meses 3,6 7,8
*série com ajuste sazonal  

Na série sem ajuste sazonal, frente a outubro de 2022, o volume de serviços recuou 0,4%. O acumulado do ano mostrou expansão de 3,1% frente a igual período de 2022. O acumulado em doze meses mostrou perda de dinamismo ao passar de 4,4% em setembro para 3,6% em outubro de 2023 e registrou o resultado menos intenso desde julho de 2021 (2,9%).

PESQUISA MENSAL DE SERVIÇOS  –  VOLUME DE SERVIÇOS, SEGUNDO AS ATIVIDADES DE DIVULGAÇÃO  –  OUTUBRO 2023 – VARIAÇÃO (%)
ATIVIDADES DE DIVULGAÇÃO MÊS/MÊS
ANTERIOR (1)
MENSAL (2) ACUMULADO
NO ANO (3)
ÚLTIMOS 12 MESES (4)
AGO SET OUT AGO SET OUT JAN-AGO JAN-SET JAN-OUT ATÉ AGO ATÉ SET ATÉ OUT
Volume de Serviços – Brasil -1,4 -0,3 -0,6 0,6 -1,1 -0,4 4,1 3,5 3,1 5,3 4,4 3,6
1. Serviços prestados às famílias -3,7 2,5 -2,1 -1,0 2,8 0,1 5,0 4,7 4,2 7,1 5,9 5,0
1.1 Serviços de alojamento e alimentação -4,0 0,7 -0,5 -1,4 0,6 0,8 5,2 4,6 4,2 7,0 5,6 4,8
   1.1.1 Alojamento  –  –  – 1,1 6,5 5,5 8,5 8,3 8,0  –  –  –
   1.1.2 Alimentação  –  –  – -0,2 -0,9 -1,6 4,7 4,1 3,4  –  –  –
1.2 Outros serviços prestados às famílias -1,7 19,8 -18,1 0,9 15,4 -4,3 4,1 5,4 4,4 8,0 7,7 5,9
2. Serviços de informação e comunicação -0,9 -0,6 0,3 2,4 -0,6 -0,5 4,9 4,2 3,7 4,6 4,1 3,3
2.1 Serviços de tecnologia da informação e comunicação (TIC) -1,1 -1,0 1,2 1,8 -1,2 -0,6 5,2 4,4 3,9 5,0 4,3 3,4
2.1.1 Telecomunicações -0,7 0,3 1,7 2,1 0,0 5,1 2,6 2,3 2,6 -0,2 0,2 1,0
2.1.2 Serviços de tecnologia da informação -1,7 -0,7 1,4 1,5 -2,5 -5,9 7,9 6,7 5,2 10,7 8,8 6,0
2.2 Serviços audiovisuais 4,9 -0,6 -3,8 7,5 5,4 1,3 2,9 3,2 3,0 2,0 2,5 3,0
3. Serviços profissionais, administrativos e complementares 0,8 -1,1 1,0 4,2 0,8 3,9 4,5 4,0 4,0 5,5 4,9 4,6
3.1 Serviços técnico-profissionais 2,0 -3,3 2,8 6,5 -3,2 6,2 6,0 4,8 5,0 6,8 5,7 5,5
3.2 Serviços administrativos e complementares -0,5 0,4 -0,5 2,8 2,5 2,3 4,1 3,9 3,8 5,2 4,8 4,4
   3.2.1 Aluguéis não imobiliários 1,9 1,7 3,4 17,9 16,8 20,3 20,9 20,4 20,4 24,1 22,9 22,0
   3.2.2 Serviços de apoio às atividades empresariais -1,0 -0,1 -1,8 -1,3 -1,6 -2,9 -0,4 -0,5 -0,8 0,3 0,1 -0,4
4. Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio -2,1 -0,2 -2,0 -1,2 -2,1 -1,2 4,1 3,4 2,9 6,6 5,2 4,1
4.1 Transporte terrestre -1,1 -0,2 -1,8 3,2 2,2 2,8 8,6 7,8 7,3 11,5 9,9 8,6
   4.1.1 Rodoviário de cargas  –  –  – 10,9 4,9 7,0 12,5 11,6 11,1  –  –  –
   4.1.2 Rodoviário de passageiros  –  –  – -8,9 -10,7 -7,2 2,2 0,7 -0,1  –  –  –
   4.1.3 Outros segmentos do transporte terrestre  –  –  – 0,8 9,6 1,4 2,5 3,3 3,1  –  –  –
4.2 Transporte aquaviário -1,4 3,3 -4,6 -2,0 4,9 -1,2 8,0 7,7 6,7 8,8 8,2 7,3
4.3 Transporte aéreo -0,5 -2,4 0,8 8,5 2,0 12,9 1,5 1,5 2,5 3,9 2,4 2,7
4.4 Armazenagem, serviços auxiliares aos transportes e correio -5,0 2,3 -1,2 -13,3 -13,7 -12,4 -4,5 -5,6 -6,3 -1,7 -3,2 -4,6
5. Outros serviços -1,6 -0,4 0,0 -6,1 -4,7 -4,2 -0,3 -0,8 -1,2 1,1 0,9 0,0
    5.1 Esgoto, gestão de resíduos, recuperação de materiais e descontaminação  –  –  – 1,0 0,4 1,4 3,3 3,0 2,8  –  –  –
    5.2 Atividades auxiliares dos serviços financeiros  –  –  – -2,9 -5,2 -3,7 -4,6 -4,7 -4,6  –  –  –
    5.3 Atividades imobiliárias  –  –  – 14,1 5,7 14,1 14,5 13,5 13,5  –  –  –
    5.4 Outros serviços não especificados anteriormente  –  –  – 4,3 4,1 -2,7 8,1 7,7 6,6  –  –  –
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Estatísticas Conjunturais em Empresas. (1) Base: mês imediatamente anterior – com ajuste sazonal; (2) Base: igual mês do ano anterior;  (3) Base: igual período do ano anterior; (4) Base: 12 meses anteriores.

A retração do volume de serviços (-0,6%), de setembro para outubro de 2023, foi acompanhada por duas das cinco atividades investigadas: transportes (-2,0%) e serviços prestados às famílias (-2,1%), com o primeiro setor acumulando uma perda de 4,3% entre agosto e outubro; e o último eliminando quase todo o ganho de setembro (2,5%).

Em sentido oposto, os serviços profissionais, administrativos e complementares (1,0%) e os de informação e comunicação (0,3%) assinalaram as únicas expansões do mês, com a primeira atividade recuperando quase toda retração observada em setembro (-1,1%); e a última apontando um ligeiro acréscimo depois de três resultados negativos seguidos, quando teve perda acumulada de 1,6%. Por fim, os outros serviços (0,0%) registraram estabilidade neste mês, após recuarem 2,0% no período agosto-setembro.

Ainda na série com ajuste sazonal, a média móvel trimestral foi de -0,8% no trimestre encerrado em outubro frente ao nível do mês anterior. Entre os setores, ainda em relação ao movimento deste índice na margem, houve disseminação de taxas negativas, já que quatro das cinco atividades recuaram frente ao nível do trimestre terminado em setembro: transportes (-1,4%); serviços prestados às famílias (-1,1%); outros serviços (-0,7%); e informação e comunicação (-0,4%), ao passo que os profissionais, administrativos e complementares (0,3%) apontaram o único resultado positivo.

Frente a outubro de 2022, o volume do setor de serviços, ao recuar 0,4% em outubro de 2023, registra o segundo revés seguido. A queda deste mês foi acompanhada por três das cinco atividades de divulgação e contou ainda com crescimento em 56,0% dos 166 tipos de serviços investigados. Entre os setores, outros serviços (-4,2%) e transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (-1,2%) exerceram os principais impactos negativos, pressionados, principalmente, pela queda da receita em atividades auxiliares dos serviços financeiros; corretores e agentes de seguros, de previdência complementar e de saúde; administração de fundos por contrato ou comissão; e administração de bolsas e mercados de balcão organizados, no primeiro ramo; e gestão de portos e terminais; rodoviário coletivo de passageiros; atividades de agenciamento marítimo; e operação de aeroportos, no último.

O outro recuo veio de informação e comunicação (-0,5%), explicado, em grande parte, pela menor receita vinda de suporte técnico, manutenção e outros serviços em tecnologia da informação; portais, provedores de conteúdo e outros serviços de informação na Internet; operadoras de TV por assinatura por satélite; e TV aberta.

Em sentido oposto, os serviços profissionais, administrativos e complementares (3,9%) e os prestados às famílias (0,1%) exerceram as únicas contribuições positivas sobre o volume total de serviços, impulsionados pelo aumento de receita das empresas que atuam com locação de automóveis; consultoria em gestão empresarial; serviços de engenharia; agências de viagens; administração de cartões de desconto e de programas de fidelidade; e locação de meios de transporte (exceto automóveis), no primeiro setor; e com serviços de bufê e hotéis, no último.

O índice acumulado no ano do setor de serviços, frente a igual período de 2022, foi de 3,1%, com quatro das cinco atividades de divulgação apontando taxas positivas e crescimento 57,8% dos 166 tipos de serviços investigados. A contribuição positiva mais importante ficou com o ramo de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (2,9%), impulsionado pelo aumento das receitas das empresas de transporte rodoviário de cargas; aéreo de passageiros; navegação de apoio marítimo e portuário; transporte por navegação interior de carga; rodoviário coletivo de passageiros; dutoviário; e armazenamento.

Os demais avanços vieram de informação e comunicação (3,7%); de serviços profissionais, administrativos e complementares (4,0%) e de serviços prestados às famílias (4,2%), explicados, principalmente, pelo aumento na receita das empresas de telecomunicações; desenvolvimento e licenciamento de softwares; tratamentos de dados, provedores de serviços de aplicação e serviços de hospedagem na Internet; consultoria em tecnologia da informação; e desenvolvimento de programas de computador sob encomenda, no primeiro ramo; de locação de automóveis; serviços de engenharia; cobranças e informações cadastrais; agências de viagens; e atividades de intermediação de negócios em geral, no segundo; e de hotéis; serviços de bufê; restaurantes; e atividades de condicionamento físico, no último.

A única influência negativa no acumulado no ano veio de outros serviços (-1,2%), devido à menor receita vinda de serviços financeiros auxiliares; corretoras de títulos e valores mobiliários; e administração de bolsas e mercados de balcão.

Serviços recuam em 12 das 27 unidades da Federação em outubro

Houve retrações em 12 das 27 unidades da Federação em outubro de 2023, frente a setembro. Entre os locais que apontaram taxas negativas nesse mês, o impacto mais importante veio do Rio de Janeiro (-2,9%), seguido por Mato Grosso (-7,0%) e Paraná (-2,1%). Em contrapartida, São Paulo (0,4%), seguido por Minas Gerais (1,2%), Rio Grande do Sul (1,9%) e Distrito Federal (2,5%) exerceram as principais contribuições positivas do mês.

Frente a outubro de 2022, houve retrações no volume de serviços em apenas 5 das 27 unidades da federação. A influência negativa mais importante ficou com São Paulo (-6,1%). Já os principais avanços foram de Minas Gerais (7,3%) e Paraná (9,6%), seguidos por Rio de Janeiro (2,4%), Rio Grande do Sul (5,5%) e Bahia (5,9%).

No acumulado no ano, frente a igual período do ano anterior, o avanço do volume de serviços no Brasil (3,1%) se deu de forma disseminada entre os locais investigados, já que 25 das 27 unidades da federação também mostraram expansão na receita real de serviços. Os principais impactos positivos foram em Minas Gerais (8,3%), Paraná (11,7%) e Rio de Janeiro (4,9%), seguidos por Mato Grosso (16,9%), Santa Catarina (8,7%) e Rio Grande do Sul (5,9%). As únicas influências negativas vieram de São Paulo (-1,3%) e Amapá (-3,6%).

Atividades turísticas recuam 1,1% em outubro

Em outubro de 2023, o índice de atividades turísticas apontou retração de 1,1% frente ao mês imediatamente anterior, após ter mostrado expansão de 1,5% em setembro. Com isso, o segmento de turismo se encontra 5,0% acima do patamar de fevereiro de 2020 e 2,4% abaixo do ponto mais alto da série, alcançado em fevereiro de 2014.

Regionalmente, sete dos 12 locais pesquisados acompanharam este movimento de retração verificado na atividade turística nacional (-1,1%). A influência negativa mais relevante ficou com Rio de Janeiro (-9,0%), seguido por Santa Catarina (-5,1%) e Bahia (-2,6%). Em sentido oposto, São Paulo (1,9%), seguido por Pernambuco (4,2%) e Distrito Federal (3,5%) assinalaram os principais avanços em termos regionais.

Na comparação outubro de 2023 / outubro de 2022, o índice de volume de atividades turísticas no Brasil apresentou expansão de 6,5%, trigésima primeira taxa positiva seguida, sendo impulsionado, principalmente, pelo aumento na receita de empresas que atuam nos ramos de locação de automóveis; transporte aéreo; serviços de bufê; agências de viagens; transporte rodoviário coletivo de passageiros; e hotéis.

Nove das doze unidades da federação onde o indicador é investigado mostraram avanço nos serviços voltados ao turismo, com destaque para São Paulo (6,8%), seguido por Rio de Janeiro (11,6%) e Minas Gerais (14,1%). Em contrapartida, Ceará (-11,3%), Espírito Santo (-6,1%) e Goiás (-0,7%) exerceram os principais impactos negativos do mês.

No acumulado no ano, o agregado especial de atividades turísticas subiu 7,9% frente a igual período do ano passado, impulsionado, sobretudo, pelos aumentos de receita obtidos por empresas dos ramos de locação de automóveis; transporte aéreo; hotéis; serviços de bufê; agências de viagens; rodoviário coletivo de passageiros; e restaurantes.

Regionalmente, onze dos doze locais investigados também registraram taxas positivas, onde sobressaíram os ganhos vindos de São Paulo (6,9%), seguido por Rio de Janeiro (11,7%), Minas Gerais (17,1%), Bahia (13,7%) e Paraná (12,7%). Em sentido oposto, Ceará (-0,3%) apontou o único resultado negativo.

Transporte de passageiros avança e o de cargas apresenta retração em outubro

Em outubro de 2023, o volume de transporte de passageiros no Brasil registrou expansão de 0,7% frente ao mês imediatamente anterior, na série livre de influências sazonais, recuperando, assim, parte da queda de 1,1% verificada em setembro. Dessa forma, o segmento se encontra, nesse mês de referência, 0,6% abaixo do nível de fevereiro de 2020 (pré-pandemia) e 23,5% abaixo de fevereiro de 2014 (ponto mais alto da série histórica).

Por sua vez, o volume do transporte de cargas apontou retração de 2,3% em outubro de 2023, terceiro revés seguido, período em que acumulou uma perda de 4,7%. Dessa forma, o segmento se situa 4,7% abaixo do ponto mais alto de sua série (julho de 2023). Com relação ao nível pré-pandemia, o transporte de cargas está 36,9% acima de fevereiro de 2020.

No confronto com igual mês do ano anterior, sem ajuste sazonal, o transporte de passageiros mostrou expansão de 1,4% em outubro de 2023, após ter recuado 3,9% em setembro; ao passo que o transporte de cargas, no mesmo tipo de confronto, cresceu 4,9%, assinalando, assim, o trigésimo oitavo resultado positivo consecutivo.

No acumulado no ano, o transporte de passageiros mostrou expansão de 1,7% frente a igual período de 2022, enquanto o de cargas avançou 9,0% no mesmo intervalo investigado.

(Com assessoria. Foto: Divulgação)

Economia

Galípolo: Brasil está mais preparado para volatilidade do petróleo

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© Lula Marques/Agência Brasil

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, avaliou nesta segunda-feira (30) que o Brasil está em uma posição mais favorável que outros países para encarar a volatilidade do preço do petróleo causada pela guerra no Oriente Médio. O executivo participou do J. Safra Macro Day, realizado nesta manhã na capital paulista.

“É lógico que todo mundo preferia estar em uma situação sem todos esses potenciais riscos e choques que o mundo vem sofrendo nos últimos anos. Mas, quando eu comparo relativamente aos seus pares, o Brasil parece estar numa posição relativamente mais favorável”, disse.

Galípolo afirmou que essa vantagem se deve ao fato de o Brasil exportar mais petróleo do que importar e à política monetária contracionista adotada pelo Banco Central, que mantém a taxa Selic em 14,75% ao ano.

“Comparativamente a outros bancos centrais, que estão mais próximos de uma taxa de juros neutra, acho que isso também nos coloca em uma posição mais favorável quando comparado com seus pares”, destacou Galípolo.

Para ele, o atual nível de juros elevados no Brasil criou “uma gordura” que vai possibilitar cortar a taxa básica mesmo durante a pressão da guerra no Oriente Médio.

“Essa gordura que foi acumulada com uma posição mais conservadora ao longo das últimas reuniões do Copom nos permitiu, mesmo diante de novos fatos, não alterar a conjuntura como um todo”, disse. “Então, a gente decidiu seguir com a nossa trajetória e iniciar o ciclo de calibragem da política monetária”.

Para ele, todos esses fatores apontam que o país atualmente é “mais um transatlântico do que um jet ski”.

“Não vamos fazer movimentos bruscos nem extremados. Por isso, no RPM [relatório de política monetária], tomei o cuidado de dizer que a gordura permitiu ganhar tempo para ver, entender e aprender mais”, disse a autoridade monetária.

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Inflação

Segundo Galípolo, essa volatilidade do preço do petróleo no cenário internacional deverá implicar um aumento da inflação no país e também em uma desaceleração da economia brasileira em 2026.

O presidente do Banco Central disse que, no Brasil, o aumento do preço do petróleo muitas vezes significou um impacto positivo no Produto Interno Bruto (PIB), o que não deve se concretizar nesse caso.

“Essa me parece ser uma elevação do preço do petróleo de natureza bastante distinta do passado. Ela não decorre de um ciclo de demanda, não decorre de uma elevação na demanda e, sim, de um choque de oferta”.

“Então, no Banco Central, temos uma visão de que provavelmente é inflação para cima e crescimento para baixo”, projetou Galípolo.

© Lula Marques/Agência Brasil

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Economia

Desemprego sobe para 5,8% em fevereiro, mas é o menor para o trimestre

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© Wilson Dias/Arquivo/Agência Brasil

A taxa de desemprego no trimestre encerrado em fevereiro atingiu 5,8%, valor acima do trimestre móvel terminado em novembro, quando era de 5,2%.

Apesar da alta no intervalo, o resultado é o menor para um trimestre encerrado em fevereiro desde 2012, quando começou a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, e mostrou também recorde no salário do trabalhador. No mesmo trimestre de 2025, o índice era 6,8%.

No trimestre terminado em fevereiro, o Brasil tinha 102,1 milhões de pessoas ocupadas e 6,2 milhões à procura de trabalho. No trimestre de setembro a novembro de 2025 eram 5,6 milhões de brasileiros em busca de vagas.

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No trimestre terminado em novembro, o número de ocupados era 874 mil a mais. De acordo com o instituto, o aumento da desocupação é explicado por perda de vagas nos segmentos de saúde, educação e construção.

A coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy, atribuiu a redução ao comportamento sazonal, ou seja, típico da época do ano, principalmente nas áreas de educação e saúde.

“Parte expressiva dos ocupados é provida por contratos temporários no setor público. Na transição de um ano para outro, há um processo de encerramento dos contratos vigentes, repercutindo no nível da ocupação dessa atividade.”

Recorde no rendimento

Apesar da elevação recente na taxa de desocupação, o rendimento médio mensal do trabalhador no trimestre encerrado em fevereiro atingiu R$ 3.679, o maior já registrado, ficando 2% acima do trimestre encerrado em novembro de 2025 e 5,2% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Esse valor é real, ou seja, já desconta a inflação dos períodos de comparação.

“O crescimento do rendimento vem sendo impulsionado pela grande demanda de trabalhadores, acompanhada de tendência de maior formalização em atividades de comercio e serviços”, afirmou Adriana Beringuy.

Mais destaques da pesquisa:

  • Número de empregados no setor privado com carteira assinada foi de 39,2 milhões, estável em relação ao trimestre móvel terminado em novembro e em relação ao mesmo período de 2025;
  • Número de trabalhadores por conta própria ficou em 26,1 milhões, estável entre trimestres seguidos e aumentou 3,2% ante o mesmo período de 2025 (mais 798 mil pessoas);
  • Taxa de informalidade foi de 37,5% da população ocupada (ou 38,3 milhões de trabalhadores informais), contra 37,7% do trimestre encerrado em novembro. Informais são trabalhadores sem garantias trabalhistas, como cobertura previdenciária e férias.

Critérios

A pesquisa do IBGE apura o comportamento do mercado de trabalho para pessoas a partir de 14 anos e leva em conta todas as formas de ocupação, seja com ou sem carteira assinada, temporário e por conta própria, por exemplo.

Pelos critérios do instituto, só é considerada desocupada a pessoa que efetivamente procurou uma vaga 30 dias antes da pesquisa. São visitados 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal.

A maior taxa de desocupação já registrada na série iniciada em 2012 foi de 14,9%, atingida em dois períodos: nos trimestres móveis encerrados em setembro de 2020 e em março de 2021, ambos durante a pandemia de covid-19. A menor foi 5,1% no quarto trimestre de 2025.

Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil

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Economia

Prévia da inflação de março fica em 0,44%, pressionada por alimentos

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© Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo

A prévia da inflação oficial do mês de março ficou em 0,44%, pressionada para cima pelo preço dos alimentos. O resultado mostra perda de força em relação ao 0,84% apurado em fevereiro.

A prévia fica abaixo também do índice medido em março de 225 (0,64%). Em 12 meses, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) acumula alta de 3,9%, dentro da meta do governo, que tolera até 4,5% ao ano.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Grupos de preços

Os nove grupos de preços pesquisados pelo IBGE apresentaram alta na passagem de fevereiro para março. O destaque de alta foram os alimentos e bebidas, com elevação média dos preços de 0,88%, o que representou impacto de 0,19 ponto percentual (p.p.) no IPCA-15.

Alimentação e bebidas: 0,88% (impacto de 0,19 p.p.)

Habitação: 0,24% (0,04 p.p.)

Artigos de residência: 0,37% (0,01 p.p.)

Vestuário: 0,47% (0,02 p.p.)

Transportes: 0,21% (0,04 p.p.)

Saúde e cuidados pessoais: 0,36% (0,05 p.p.)

Despesas pessoais: 0,82% (0,09 p.p.)

Educação: 0,05% (0,00 p.p.)

Comunicação: 0,03% (0,00 p.p.)

Alimentos

Dentro do grupo alimentação e bebidas, o conjunto de preços da chamada alimentação no domicílio ficou 1,10% mais caro. Em fevereiro havia sido 0,09 p.p.

Contribuíram para esse resultado as altas do açaí (29,95%), feijão-carioca (19,69%), ovo de galinha (7,54%), leite longa vida (4,46%) e carnes (1,45%). O IBGE destaca que, em termos de peso na inflação mensal, as carnes representaram impacto de 0,04 p.p.; já o leite, 0,03 p.p.

Com os aumentos de dois dígitos, o feijão e o açaí contribuíram, cada um, com 0,02 p.p. do índice em março.

A alimentação fora do domicílio subiu 0,35% em março, superando a expansão observada em fevereiro (0,46%).

Mais influências

De todos os 377 subitens (produtos e serviços) pesquisados pelo IBGE, o que exerceu maior pressão de alta individual no IPCA-15 foram as passagens aéreas, que subiram 5,94% no mês (impacto de 0,05 p.p.)

Na prévia de março, os combustíveis apresentaram deflação de 0,03%, ou seja, na média, houve redução de preço. O IBGE apontou os seguintes comportamentos: gás veicular (-2,27%), etanol (-0,61%) e gasolina (-0,08%). Já o óleo diesel teve variação positiva de 3,77%.

Guerra no Irã

O preço dos combustíveis, especialmente os derivados de petróleo, como diesel, gás e gasolina, estão sendo observados com atenção em março por autoridades, profissionais do setor e motoristas por causa da guerra no Irã, que tem levado distúrbios à cadeia global de petróleo.

Aqui no Brasil a Petrobras chegou a anunciar reajuste no diesel em R$ 0,38 por litro, e o governo adotou medidas para suavizar a escalada de preços, incluindo a zeragem de alíquotas do PIS e da Cofins, tributos federais incidentes sobre o diesel.

O diesel, utilizado por ônibus, caminhões e tratores, é o derivado que mais sente a pressão internacional. Um dos motivos é que o Brasil importa 30% do óleo que consome.

IPCA-15 x IPCA

O IPCA-15 tem basicamente a mesma metodologia do IPCA, a chamada inflação oficial, que serve de base para a política de meta de inflação do governo: 3% no acumulado em 12 meses, com margem de tolerância de 1,5 p.p. para mais ou para menos.

A diferença está no período de coleta de preços e na abrangência geográfica. Na prévia, a pesquisa e feita e divulgada antes mesmo de acabar o mês de referência. Em relação à divulgação atual, o período de coleta foi de 13 de fevereiro a 17 de março.

Ambos os índices levam em consideração uma cesta de produtos e serviços para famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos. Atualmente o valor do mínimo é R$ 1.621.

O IPCA-15 coleta preços em 11 localidades do país (as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia.); e o IPCA, 16 localidades (inclui Vitória, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju). O IPCA cheio de março será divulgado em 10 de abril.

Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil

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