Referência e destaque nacional, a Rede Hemosul MS completou 36 anos de história de apoio e contribuição com a saúde pública de Mato Grosso do Sul. Ajudar a salvar vidas através da doação. Além de desempenhar este papel essencial, também tem na sua trajetória “cases de sucesso” que estão sendo usados em outros estados.
O Hemosul comemorou o aniversário no domingo (8). Ele dispõe de 12 unidades no Estado, sendo três na Capital e nove no interior, que contam em média com 5.635 candidatos par doação por mês, além de dispor de 4.668 bolsas coletadas (mensais), tendo a distribuição de 104 mil hemocomponentes (hemácias, plaquetas, plasma e crioprecipitado) por ano.
“Nós somos uma rede 100% pública e atendemos todos os hospitais públicos e privados do Mato Grosso do Sul. A importância do Hemosul para saúde coletiva e pública do Estado é imensa. A doação solidária chega aos hospitais para atender os pacientes. Temos que parabenizar toda equipe do Hemosul, que vive a causa do sangue. Sem eles não conseguiríamos atender a população com qualidade”, afirmou a coordenadora do Hemosul, Marina Sawada Torres.
Com o lema de salvar vidas, a rede conseguiu construir “cases de sucesso” que são usados como referência e estão sendo copiados em outros estados. Entre eles está o “Selo Conexão Hemosul”, que é concedido a empresas parceiras e amigas. Elas podem contribuir com campanhas entre os funcionários (doações), na função de multiplicadoras, apoio institucional (cooperação técnica ou financeira) e as consideradas “Premium”, quando realizam as três funções citadas.
Com destaque, o Hemocentro de Brasília procurou o Hemosul para implantar a ideia (selo) na sua cidade e outras empresas de fora do Estado quiseram participar, como uma instituição de Avaré (SP). Por esta razão o selo foi ampliado a empresas de fora do Mato Grosso do Sul, caso sejam parceiras.
Outra inovação inédita no Brasil foi a criação do aplicativo para cartão e declarações digitais do doador. Eles estão dentro do programa “MS Digital”, por meio de uma parceria com o CTEC da SES (Secretaria Estadual de Saúde). A Secretária de Saúde do Espírito Santo inclusive entrou em contato e fez uma reunião com o Hemosul, pois pretende implantar o modelo no seu estado pelo HEMOES (Centro de Hemoterapia e Hematologia do Espírito Santo).
Hemosul Coordenador em Campo Grande
Referência nacional
As ações do Hemosul se tornaram referência nacional. A rede ganhou em 2022 o prêmio “Roche Farma Brasil” com seu projeto de brinquedoteca e biblioteca para crianças com hemofilia. Este espaço foi criado no Hemosul do Hospital Regional do MS, Hemosul Santa Casa e no Hemosul Coordenador. Além de um mini estúdio para divulgar as ações da rede.
O espaço que tem parceria com a APHEMS (Associação de Pessoas com Hemofilia de Mato Grosso do Sul) conta eventualmente com “contações de história”. O objetivo visa promover lazer, bem-estar e educação por meio de brincadeiras e leituras par estas crianças. Um ambiente acolhedor e adaptado, que além de suavizar o processo, auxilia também na compreensão e recuperação dos pacientes.
Brinquedoteca do Hemosul do HRMS
Outro destaque é o NAT (Laboratório de Tecnologia Biomolecular) do Hemosul que está entre os 13 sítios testadores do Brasil. Uma tecnologia que nos elevou ao patamar de última geração para exames sorológicos. O projeto está em funcionamento desde 2011 no Hemosul Coordenador. Hoje faz exames ao Mato Grosso e atende outros estados em casos de contingência.
Já o projeto “Ambulância Terapia” atende aos pacientes com hemofilia que não podem ir buscar os “fatores”. As ambulâncias dos municípios vão até as unidades do Hemosul e levam até os pacientes, chegando inclusive até a zona rural do Estado.
Doação para salvar vidas
Mesmo com todo esforço e dedicação da Rede Hemosul, a sua tarefa só vai ser cumprida com a participação do doador. A sua ação voluntária faz toda diferença e ajuda a salvar vidas todos os dias.
O médico-veterinário Leandro Menezes, de 32 anos, já faz a sua doação de sangue há muito tempo e diz que é um hábito ajudar o próximo. “Faz tempo que sou doador, a primeira vez foi quando alguém me pediu para doar a algum parente e depois fui criando hábito, me conscientizando sobre doar sem olhar para quem. Faz a diferença na vida de alguém, inclusive já tive amigos e parentes que precisaram”. Ele faz sua doação de duas a três vezes por ano.
Leandro Menezes
Suzana Rezende
A dentista Suzana Rezende conta que sente vontade de doar sangue. “Faz um tempo que sou doadora. Meu pai já precisou por exemplo e sei da importância do ato. Aqui no Hemosul faço a doação a cada seis meses, sempre com atendimento excelente, local sempre limpo e os funcionários bem-dispostos”.
Além da rotina semanal de atendimento, o Hemosul sempre faz ações especiais em datas importantes como no “junho vermelho”, que é mês nacional de incentivo a doação de sangue, que é sempre um período que cai o estoque devido a época do frio ou de muitas doenças respiratórias. Assim como no dia 25 de novembro (dia nacional do doador de sangue).
Para doação de medula óssea tem o 3° sábado de setembro que comemora o dia mundial, além da semana nacional que vai de 14 a 21 de dezembro.
Quem quiser mais informações sobre como ser um doador é só acessar o site do Hemosul que tem todas as regras e horários de atendimento das unidades.
Critério passa de seis meses para 14 dias em casos de uso de medicamentos regularizados pela Anvisa
O Hemosul Coordenador passou a adotar novos critérios para a doação de sangue após a publicação de Nota Técnica do Ministério da Saúde, que padroniza, em todo o país, as orientações para pessoas que utilizaram medicamentos emagrecedores regularizados pela Anvisa.
A principal mudança é a redução do prazo de inaptidão temporária, que antes variava de seis meses a um ano e agora passa a ser de 14 dias, desde que o doador esteja em boas condições de saúde. A medida traz mais clareza às normas adotadas pelas hemorredes e tem como foco a proteção da saúde do doador, sem impacto na qualidade do sangue coletado.
O que muda com a nova orientação
Antes da publicação da Nota Técnica, o Hemosul adotava prazos mais longos por precaução, diante da ausência de diretrizes federais específicas. Com a nova norma, o uso de medicamentos autorizados pela Anvisa deixa de ser, por si só, um impedimento prolongado para a doação.
O prazo de 14 dias deve ser respeitado após:
início do uso do medicamento;
alteração ou aumento da dose;
presença de sintomas;
A contagem começa após a completa resolução dos sintomas, quando a pessoa estiver se sentindo bem, assegurando a proteção da saúde do doador durante todo o processo.
A gerente técnica da rede Hemosul, Andrea Campos, explica que, com a publicação da Nota Técnica, passou a existir um critério nacional claro. “O foco é sempre a segurança do doador, e agora conseguimos aplicar um prazo mais adequado, baseado em evidências”, afirma.
Para pessoas que utilizaram medicamentos não regularizados pela Anvisa, o prazo de inaptidão temporária permanece em seis meses, conforme os critérios adotados anteriormente. A triagem clínica continua sendo fundamental para identificar o tipo de substância utilizada e avaliar as condições gerais de saúde de quem procura doar sangue.
Reavaliação após atualização dos critérios
Pessoas que procuraram o Hemosul para doar sangue antes da publicação da nova orientação e foram consideradas inaptas, mas que agora se enquadram nos critérios atualizados, podem retornar às unidades para reavaliação. Nesses casos, a orientação é procurar diretamente a recepção do Hemosul e informar que foi considerada inapta anteriormente em razão do uso de canetas emagrecedoras. A equipe fará o encaminhamento para nova triagem clínica.
Avaliação continua sendo individual
Andrea reforça que a mudança nos prazos não elimina a análise cuidadosa de cada caso. “Cada pessoa que busca doar sangue continua sendo avaliada individualmente. É fundamental estar em boas condições de saúde no dia da doação. A atualização traz mais segurança e uniformidade ao processo”, destaca a gerente técnica.
Importância da hidratação e da boa alimentação
O Hemosul orienta que as pessoas interessadas em doar sangue mantenham boa hidratação e alimentação equilibrada, especialmente nos dias que antecedem a coleta. Esses cuidados contribuem para um procedimento mais tranquilo e para a recuperação adequada após a doação.
Quem pode doar sangue
De forma geral, podem doar sangue pessoas que:
estejam em boas condições de saúde;
tenham entre 16 e 69 anos;
estejam bem alimentadas e descansadas no dia da doação;
apresentem documento oficial com foto;
pesem, no mínimo, 51 quilos.
Menores de 18 anos podem doar somente com a presença e autorização do pai, da mãe ou do responsável legal no momento da doação.
Todas as pessoas que procuram o Hemosul para doar sangue passam por triagem clínica antes da coleta, conforme as normas estabelecidas pelo Ministério da Saúde. A atualização das orientações amplia o acesso de doadores aptos e contribui para a manutenção dos estoques de sangue, mantendo a segurança como prioridade em todo o processo.
André Lima, Comunicação SES Foto: Mayra Franceschi/Hemosul
Em 18 anos, o excesso de peso da população brasileira aumentou em 20 pontos percentuais. Em 2024, 62,6% dos brasileiros tinham excesso de peso, contra 42,6% em 2006. A obesidade (IMC igual ou maior que 30 kg/m²) dobrou, passando de 11,8% para 25,7% da população.
Os dados são do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) do Ministério da Saúde, divulgados nesta quarta-feira (28). O levantamento é realizado em todas as capitais e no Distrito Federal.
O diagnóstico médico de diabetes em adultos apresentou aumento de 5,5%, em 2006, para 12,9% em 2024. A hipertensão em adultos passou de 22,6% para 29,7%.
A atividade física no deslocamento pelas cidades diminuiu de 17% em 2009 para 11,3% em 2024 devido ao maior uso de carros por aplicativos e transporte público. Já a atividade moderada no tempo livre com pelo menos 150 minutos semanais cresceu de 30,3% em 2009 para 42,3% em 2024.
O consumo regular de frutas e hortaliças (5 dias por semana ou mais) manteve-se relativamente estável, variando de 33% (2008) para 31,4% (2024).
O consumo de refrigerantes e sucos artificiais (5 dias por semana ou mais) teve redução de 30,9% (2007) para 16,2% (2024).
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, avaliou que dados positivos como diminuição do consumo de refrigerante e aumento da atividade física não têm sido suficientes para reduzir a incidência de doenças crônicas como diabetes, hipertensão e obesidade.
“À medida que o Brasil vai envelhecendo cada vez mais, surgem mais pessoas com doenças crônicas. Por isso, precisamos ter mais políticas de cuidado e prevenção”, defendeu.
Insônia
Pela primeira vez, o Vigitel analisou o sono da população brasileira: 20,2% dos adultos nas capitais disseram dormir menos de 6 horas por noite e 31,7% dos adultos têm pelo menos um dos sintomas de insônia, com maior prevalência entre mulheres (36,2%) que homens (26,2%).
Segundo Padilha, esse dado mostra que o sono tem sido insuficiente e interrompido ao longo da noite.
“Isso preocupa porque um sono sem qualidade tem relação direta com ganho de peso, obesidade, com piora das doenças crônicas e com o tema da saúde mental. Chama a atenção esse dado nacional e vamos reforçar com as equipes de atenção primária para perguntar sobre o sono”, disse.
Viva Mais Brasil
Em cerimônia no Super Centro Carioca de Vacinação, em Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro, Padilha lançou a estratégia Viva Mais Brasil, mobilização nacional voltada à promoção da saúde, prevenção de doenças crônicas e melhoria da qualidade de vida dos brasileiros.
De acordo com o ministério, serão investidos R$ 340 milhões em políticas de promoção da atividade física, com destaque para a retomada da Academia da Saúde, que receberá R$ 40 milhões ainda em 2026.
A nova estratégia articula e fortalece políticas já existentes do Sistema Único de Saúde (SUS), com ações voltadas à alimentação adequada e saudável, à prática de atividade física, ao cuidado integral e ao acesso à informação de qualidade.
A iniciativa busca incentivar e apoiar a população brasileira na adoção de modos de vida saudáveis, com ações nas unidades do SUS e no setor privado, ampliando o alcance das políticas de promoção da saúde.
O Viva Mais Brasil conta com dez compromissos para viver mais e melhor:
Tratada como tabu por muitos anos, a hanseníase ainda mantém números elevados no Brasil, que ocupa o segundo lugar em número de casos no mundo. Em Campo Grande, pessoas que mantêm contato com pacientes diagnosticados com a doença têm acesso a um teste rápido, que identifica se houve ou não exposição ao agente causador da infecção.
O exame, que leva menos de 15 minutos para apresentar o resultado, está disponível na rede pública de saúde há três anos e já foi realizado em 93 contactantes de pacientes com hanseníase, todos com resultado negativo até o momento.
“Após a avaliação clínica, onde é identificado se há algum sinal ou sintoma da doença, e observada a inexistência de lesão ou quando não há a possibilidade de diagnóstico clínico, o contactante realiza o teste rápido para identificar se já houve o contato com a bactéria que causa a hanseníase”, explica o responsável técnico pela vigilância epidemiológica da doença na Sesau, Michael Cabanhas.
Segundo o enfermeiro, quando o resultado é positivo, a pessoa passa a realizar acompanhamento por cinco anos, com o objetivo de identificar precocemente o surgimento de lesões características da doença.
Somente no último ano, foram registrados 35 novos casos de hanseníase em Campo Grande. Dos 68 pacientes acompanhados no período, a maioria já apresentava múltiplas lesões pelo corpo no momento do diagnóstico.
A transmissão da hanseníase ocorre por via respiratória, por meio da fala, tosse ou espirro, mas de forma diferente de outras doenças. Para que haja o contágio, é necessário um contato íntimo e prolongado, como morar na mesma casa ou compartilhar o mesmo ambiente de trabalho. A transmissão não se dá apenas pelo toque. O compartilhamento de utensílios e toalhas também pode favorecer a transmissão.
Por isso, pessoas que mantêm esse vínculo mais próximo com pacientes diagnosticados também precisam de acompanhamento contínuo, com atenção especial ao surgimento de possíveis lesões.
Michael reforça que tanto o tratamento dos pacientes quanto o acompanhamento dos contactantes são realizados na própria unidade de saúde. “Quando se tem o conhecimento de um novo caso que não está em tratamento, o contactante deve buscar a unidade de referência da região onde mora, para que seja feita a investigação”, explica.
Dados e tratamento
Tanto a testagem rápida quanto o tratamento da hanseníase são disponibilizados na rede pública, pelo SUS. Seguir corretamente o esquema terapêutico é fundamental para evitar complicações futuras e reduzir a transmissão da doença — que é interrompida apenas 24 horas após o início do tratamento.
Entre os principais sinais de alerta estão manchas na pele, que podem ser avermelhadas, acastanhadas ou esbranquiçadas, associadas à diminuição da sensibilidade, redução dos pelos e do suor. Também podem ocorrer perda de força muscular em face, mãos e pés, além do surgimento de caroços, que em alguns casos são avermelhados e dolorosos.
Em Campo Grande, parte dos pacientes ainda procura atendimento quando a doença já apresenta sequelas irreversíveis. No último ano, dos 68 pacientes em acompanhamento, 54 apresentavam múltiplas lesões, enquanto 14 tinham apenas uma ou poucas manchas pelo corpo. Do total, 35 eram casos novos.